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Algumas notas introdutórias sobre o género Epiplatys, Gill, 1862

Artigo publicado no Boletim da Associação Portuguesa de Killifilia Vol. I, nº5 Set./Out. 1999
 

Por: Alberto Reis

 

O género Epiplatys abrange cerca de 40 espécies até à data que habitam uma razoável superfície da África ocidental que vai do Senegal até ao Zaire. Esta área não se afasta significativamente da ocupada pelo Género Aphyosemion.
 
São peixes não anuais que habitam rios e riachos sem corrente ou com corrente fraca, geralmente com muita vegetação submersa e flutuante. De dimensões típicas entre 5 e 9 centímetros, existe um Epiplatys (há quem considere um novo género: Pseudepliplatys) de grande beleza mas de menor dimensão (até 4 centímetros) e por isso muito delicado: o E. (Pseudep.) annulatus.
 
Os killies deste género foram mantidos em aquário com alguma frequência, tendo tido alguma popularidade há já algumas décadas. O facto de não apresentarem as cores exuberantes dos Aphyosemions e Nothobranchius, nem a beleza das barbatanas de muitas Cynolebias fez com que a sua manutenção entre os killiófilos apresente agora um periodo de menor fulgor. Estas linhas tentarão justificar porque é que são um dos meus géneros preferidos, que tento manter com alguma motivação e devoção.
 
O nome Epiplatys vem do grego e refere-se à fronte plana característica deste peixes e de outros pertencentes ao Género Aplocheilus, que habitam no continente asiático. As semelhanças de morfologia e hábitos entre estes dois géneros fez com que reconhecidos especialistas tais o holandês Ruud Wildekamp os considerem como um género comum.
 
A boca alargada e deslocada para cima, o dorso e o focinho plano mas a terminar em bico denotam uma posição próxima da superfície e uma alimentação baseada em insectos que caem na água. No entanto também poderão alimentar-se de peixes que caibam na sua boca relativamente grande em relação ao tamanho do corpo. Há neste comportamento de predador ocasional e na morfologia algumas semelhanças com um peixe que habita as nossas águas doces e que já tive o privilégio de pescar em Espanha: o lúcio (Esox lucius).
 
O corpo pode apresentar séries longitudinais de pontos muito evidentes em espécies tais como o E. singa e o E. lamottei. Podem apresentar riscas verticais escuras em número variável (2 no grupo bifasciatus, 6 no grupo sexfasciatus e mais do que 6 no caso do grupo multifasciatus).
 
Na minha opinião os Epiplatys mais atraentes pertencem às seguintes espécies: annulatus, boulengeri, callipteron, chaperi, guineensis, lamottei, olbrechtsi, tototaensis e zimiensis.
 
O dimorfismo sexual é pouco marcado comparativamente com outros killies. Os machos atingem maior tamanho e cores um pouco mais intensas e contrastadas. Muitas vezes, nos machos há um alargamento dos raios intermédios da barbatana caudal, que chegam a formar uma pequena espada ou apêndice.
 
Os peixes juvenis podem viver em grupos relativamente grandes nas zonas soalheiras. No entanto os grandes adultos apresentam uma marcada territorialidade, tornando-se mais sedentários e ocupando zonas preferencialmente sombrias e delimitadas por plantas aquáticas flutuantes, se as houver. Este comportamento pode ser recriado em aquário. Os adultos dominantes podem afastar os restantes Epiplatys intrusos (da sua espécie e outras) do seu território com deslocamentos intimidatórios mas nunca presenciei até à data confrontos directos e qualquer tipo de agressão. As cores dos Epiplatys são geralmente discretas, mas muito variáveis com o humor e com o ambiente exterior, podendo atingir grande fulgor quando bem alimentados (principalmente com comida viva), num aquário espaçoso (para diminuir o stress provocado pela coexistência de muitos Epiplatys) e bem plantado, relativamente escuro . Muitas vezes o macho dominante (geralmente o de maior tamanho) é o que pode apresentar as cores mais vivas.
 
As plantas flutuantes são vivamente recomendadas pelas sombras que proporcionam, pelo delimitar de territórios para os adultos e pela possibilidade de protecção de alevins e alimentação natural dos mesmos com infusórios. 
 
Estes peixes são geralmente indolentes, permanecendo em repouso ou deslocando-se muito vagarosamente perto da superfície. Só durante a alimentação é que se deslocam surpreendentemente depressa, mais uma vez assemelhando-se ao comportamento de predador por emboscada tão característico do lúcio. Esta elevada velocidade de ponta e posicionamento perto da superfície fa-los saltar com muita facilidade, principalmente na captura de insectos no ar. E faz com que se devam ter redobrados cuidados quando se pretende a sua manutenção em aquário. Uma tampa mal fechada ou, às vezes, um pequeno orifício na mesma mal vedado tem consequências muito graves e irreparáveis: peixes a jazer mortos no soalho ou na alcatifa…Neste comportamento assemelham-se aos Aphyosemion, aos Aplocheilus e aos Rivulus.
 
Os Epiplatys apresentam características muito atraentes como peixes de aquário e pouco comuns à maioria dos killies. Podem ser excelentes peixes para aquários comunitários, habitando as camadas superficiais da água e em nada interferindo com habitantes de meia-água tais como os Caracídeos ou do fundo com os Ciclídeos. Podem ser habituados a uma grande variedade de comida congelada e seca e toleram jejuns relativamente grandes tais como duas semanas, o que os torna adequados para killiófilos que se ausentem com alguma regularidade das suas casas. São robustos, raramente contraindo as doenças mais habituais dos killies tais como o Oodinium. Na minha opinião, talvez seja o Género mais robusto entre os killies. A facilidade de manutenção só é comparável aos Aplocheilus e a algumas Cynolebias mais fáceis (as de clima temperado).
 
As temperaturas a que devem ser mantidos respeitam os biótopos da sua proveniência. As que vivem na floresta necessitam temperaturas frescas, de preferência entre 20 e 22ºC, as da zona de transição preferem temperaturas um pouco mais elevadas, na ordem dos 25ºC, mas toleram os 30ºC e as de savana podem ser mantidos com conforto perto dos 28ºC mas toleram temperaturas superiores aos 30ºC. Toleram uma vasta gama de características da água, se bem que têm marcada preferência pela água ácida (pH 6 a 7) e relativamente macia (dH 4º a 10º).
 
A sua reprodução é simples e acessível ao iniciado. É um género prolífico. Os seus representantes desovam geralmente perto da superfície e os ovos aderem preferencialmente às plantas aquáticas flutuantes. Os ovos, de dimensões apreciáveis, desenvolvem-se aproximadamente em duas semanas às temperaturas habituais de aquário. Tenho constatado que é muito habitual os pais respeitarem os ovos e muitas vezes os seus próprios alevins, pelo que o método natural funciona. Contudo, para uma maior produtividade, é aconselhável retirar os pais após duas semanas de desova, deixando os alevins à sua sorte num aquário densamente plantado e, consequentemente, com infusórios e outros alimentos. Outro método, para mim o preferido, é a da introdução de ninhos artificiais flutuantes feitos em fibra acrílica (mops) no aquário onde se encontram os pais. A escolha da côr da fibra é importante no momento de inspeccionar os ovos que entretanto, se tenham aí depositado. O objectivo é criar contraste entre os ovos (transparentes ou translúcidos) e o substrato de postura. A côr que se tem revelado mais promissora é o castanho escuro.
 
Os mops devem ser retirados todas as semanas, inspeccionados cuidadosamente, de preferência através de luz intensa (por exemplo, num candeeiro de estirador) e os ovos devem ser removidos suavemente com a mão e colocados num recipiente de incubação. Eu prefiro a chamada caixa de Petri, em vidro. A sua elevada razão área/volume e transparência fazem com que os ovos estejam bem separados e facilmente visualizados todos os dias. Se houver algum ovos não fecundado ou contaminado por fungos (nesse caso fica opaco), deve ser removido imediatamente para não contaminar os vizinhos.
 
Já tenho incubado os ovos em água nova, sem cloro, e em turfa muito húmida (grau 5 na escala de Langton). Este último suporte apresenta algumas vantagens. Sincroniza melhor a data de eclosão principalmente quando as datas das posturas estão desfasadas e é o meio por excelência para enviar ovos por correio.
 
Os alevins de Epiplatys grandes nascem geralmente com dimensões que lhes permitem a alimentação com nauplii mas como precaução, poder-se-á incluir alguns infusórios nos dois ou três primeiros dias. Em certas espécies a alimentação dos alevins nas primeiras duas semanas com infusórios é essencial à sua sobrevivência, tais como os de E. singa, E. chaperi e E. (pseudep.) annulatus.
 
Quando se tem o cuidado de separar os pais antes de uma postura, e se alimentam substancialmente com comida viva e variada, o nº de ovos aumenta substancialmente. Já fiz recolhas semanais de mais de 80 ovos férteis por casal de E. chaperi Angona e E. guineensis CI94. Outras espécies são marcadamente menos prolíficas tais como E. lamottei e E. zimiensis, para os quais 10 a 15 ovos por semana já é uma proeza.
 
A única dificuldade entre os Epiplatys é a relativa lentidão com que crescem. O tamanho máximo só se atinge entre 6 meses e um ano, dependendo da espécie, e isso nas condições óptimas (renovações parciais de água frequentes, alimentação abundante e variada e espaço suficiente).
 
Os killies deste género muito raramente se encontram à venda nas lojas de aquarofilia, talvez à excepção do E. dageti monroviae. Actualmente mantenho 6 espécies (E. chaperi Angona, E. guineensis CI94, E. zimiensis Perie, E. fasciolatus totaensis Harbel, E. singa CI94 e E. lamottei Koulé), das quais reproduzo actualmente as três primeiras.
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